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Bon Iver em Paris e a minha inquietação

Percebi há uns dias que não disse nada aqui sobre o concerto de Bon Iver a que assisti em Paris, durante o Pitchfork Music Festival, no final de Outubro.

Pois que agora é tarde para grandes prosas mas podem ter a certeza de que foi um concerto quase perfeito, como seria de esperar. O recinto estava a abarrotar de casais beijoqueiros, gigantes escandinavos e italianos barulhentos para assistir ao concerto mais importante do festival por onde já tinham passado Aphex Twin, Cut Copy, Lykke Li e Jens Lekman, entre outros.

O início com “Perth”, “Minnesota, WI” e a perfeita “Holocene” dissipou eventuais dúvidas sobre a qualidade do espectáculo. Qualidade que já esperava, lá está, sobretudo porque o álbum é qualquer coisa do outro mundo. E depois veio uma “Blood Bank” on steroids, cheia de força e distorção, e lá fui eu atrás.

Problema: a seguir surgiu “Beach Baby”, uma canção acústica muito bonita que também pode ser ouvida no EP Blood Bank. O que significa isto? Bem, significa que, apesar de estar a assistir a um concerto quase perfeito, nunca consegui deixar de pensar num pequeno pormenor chamado “Re: Stacks”, a minha canção favorita de Bon Iver. Pouco mais de uma hora depois de “Beach Baby”, confirmou-se a terrível notícia de que não haveria “Re: Stacks” para ninguém.

Acho que nunca saí tão chateado de um concerto. Um gajo vai a Paris e é isto que recebe em troca. “Beach Baby” não devia estar ali, garanto-vos. Acho que foi um dos melhores concertos a que assisti na minha vida e, no entanto, nunca saí assim de nenhum concerto, por pior que fosse. Mas seria injusto ignorar todas as coisas boas que se passaram, desde as novas “Calgary” e “Beth/Rest” às mais entradotas “Creature Fear”, “The Wolves (Acts I and II)” e, claro, “Skinny Love”.

O final com “For Emma” foi fofinho mas a minha amargura com a ausência de “Re: Stacks” dominou totalmente os encores… e o final foi apenas tempo desperdiçado a pedir ajuda aos santinhos para que “For Emma” não fosse realmente a última. É que “For Emma” não merecia ser a última – é que há coisas tão mais grandiosas na música de Bon Iver. E eu não merecia que o concerto terminasse sem a “Re: Stacks” ecoar pela Grande Halle de la
Villette. Não merecia o quase a manchar o perfeito.