Este é o primeiro de três artigos sobre o melhor da música em 2025.
Fui a tão poucos concertos fora de festivais que esta lista quase me embaraça. A culpa é um pouco minha, mas é sobretudo do proverbial mercado, que prefere juntar 50 concertos em três dias. Ainda assim, este ano fui bem feliz a ver música ao vivo.
Os melhores concertos de 2025:
10 – Vampire Weekend no Vodafone Paredes de Coura (15 de agosto)
Já não os via ao vivo há imenso tempo, mas, apesar de há muito não me encherem as medidas em disco, confirmaram o que escrevi em 2008 a propósito do concerto deles no Alive: ao vivo são gigantes. E foram.
9 – Lambrini Girls no Vodafone Paredes de Coura (15 de agosto)
Um daqueles pequenos acasos que acontecem em Paredes de Coura. Sem qualquer expectativa, fui espreitar as Lambrini Girls e por lá fiquei a ver o concerto/comício contra a polícia, o Governo, os fachos e tudo o resto. Deixei o mosh e a parede da morte para outros, mas este conseguiu ser, de qualquer forma, um dos concertos mais divertidos do ano.
8 – Afonso Rodrigues na Casa Capitão, em Lisboa (30 de outubro)
Areia Branca foi um dos poucos álbuns portugueses que me deixou marca este ano e o concerto de Afonso Rodrigues só ajudou a reforçar esse estatuto. Canções simples, com letra e melodia ao centro, fizeram da Casa Capitão a casa de todos os que lá foram, incluindo os convidados especiais Valter Lobo, Catarina Salinas e Benjamim, que só tornaram a ocasião mais especial.
7 – Los Campesinos! no Primavera Sound, no Porto (13 de junho)
Check! Não esperava tê-los entre os melhores álbuns de 2024, mas lá estiveram. Não esperava que viessem a Portugal em 2025, mas cá estiveram. A tocarem ao mesmo tempo que TV On The Radio no Primavera Sound, pensei que ia deixá-los para outra altura. Em boa altura — ainda que um pouco tarde, já depois de o concerto começar — mudei de ideias e fui vê-los. Foi facilmente a minha melhor decisão do dia. Foi a primeira vez que vi Los Campesinos! ao vivo e foi… intenso. Da próxima vez, abraçarei o meu lado emo e estarei lá desde o primeiro minuto.
6 – Sharon Van Etten & The Attachment Theory no Vodafone Paredes de Coura (16 de agosto)
Eu gosto mais da Sharon Van Etten de outros tempos, de Tramp e Are We There, em que a tensão já vinha de série com a voz, mas em que a música sempre deixava respirar um pouco. Mas a Sharon Van Etten dos últimos álbuns é épica, é inevitável, é grandiosa e o concerto dela com a sua banda foi tudo isso e, portanto, era o que faltava não estar aqui.
5 – Lola Young no Vodafone Paredes de Coura (14 de agosto)
Sem a incontornável “Messy” entrar-me pelos ouvidos adentro sem pedir licença, teria ido ver Lola Young completamente às cegas… mas teria sido igual. Um concerto com tanta energia que quase fico com a sensação de ter terminado com mais bateria no telemóvel do que tinha quando começou.
4 – Cassandra Jenkins no Vodafone Paredes de Coura (15 de agosto)
O concerto que mais queria ver em Paredes de Coura levou-me bem lá para a frente antes da hora sem necessidade nenhuma. Acho que me esqueci de que muito pouca gente quer saber de Cassandra Jenkins. Tudo bem, desde que saibam que, assim sendo, são piores do que eu. O concerto foi fiel ao que Cassandra Jenkins é em disco: sereno, com uns salpicos de génio e um aquecedorzinho para o coração. Faltou apenas, há que dizê-lo, um saxofone, que “Hard Drive” merecia isso e muito mais.
3 – Benjamim no B.Leza, em Lisboa (3 de abril)
O décimo aniversário de Auto Rádio levou Benjamim e um luxuoso rol de convidados — entre os quais o meu querido Samuel Úria — ao B.Leza e a festa foi bem bonita. Apesar de ser simpatizante, confesso-me relativamente agnóstico em relação a Benjamim, mas o concerto foi excecional.
2 – MJ Lenderman & The Wind no Vodafone Paredes de Coura (13 de agosto)
O concerto de MJ Lenderman em Paredes de Coura foi o que mais influenciou o meu consumo de música em 2025. Com Manning Fireworks bem rodado por aqui, não esperava sair de lá com mais cromos para colar na caderneta, mas assim foi: “Dancing In The Club” (uma versão de This Is Lorelei) a abrir e “Knockin” a fechar colaram-se aos meus ouvidos e ainda não arranjei antídoto. Um concerto ruidoso, intenso e bonito, como se quer.
1 – Waxahatchee no Primavera Sound, no Porto (13 de junho)
Apesar de ter sido num palco demasiado grande e apesar de eu me ter posicionado relativamente mal e apesar de ter sido durante o dia e apesar de ter durado menos de uma hora, o concerto de Waxahatchee foi exatamente aquilo de que precisava na altura: uma coisa emocional e a cereja no topo do bolo que foi a era Tigers Blood.