Este é o segundo de três artigos sobre o melhor da música em 2025.

Algumas destas canções estiveram coladas a mim o ano inteiro. Outras apareceram quase no fim. Todas deixaram a sua marca em 2025.

As melhores canções de 2025:

10 – Noah Cyrus (com Fleet Foxes) – “Don’t Put It All On Me”

É capaz de ter passado meio despercebida, mas tive a sorte de me cruzar com ela pouco tempo depois de ter sido lançada como single de I Want My Loved Ones To Go With Me e deixei-a ficar por perto. Uma canção que faz parecer fácil fazer canções.

9 – Jason Isbell – “Wind Behind The Rain”

A canção que fecha Foxes In The Snow é a menos pessoal do disco, mas a que melhor representa a bonança de uma nova relação depois da tempestade do fim da anterior. É, também, uma canção luminosa e aberta ao mundo. Se Foxes In The Snow é o que Jason Isbell tinha para dar, “Wind Behind The Rain” é o que Jason Isbell ainda pode ser.

8 – Rosalía (com Björk e Yves Tumor) – “Berghain”

Que malhão. O ponto mais alto de Lux aterrou como uma bomba e elevou automaticamente a fasquia para o que é boa música pop (ou boa música, simplesmente) em 2025.

7 – Geese – “Taxes”

2025 foi o ano dos Geese. A ascenção meteórica de Cameron Winter e companhia veio acompanhada de artigos de reflexão e de um mediatismo sem paralelo para artistas deste género nos últimos anos. Mas deixemos tudo isso de lado: “Taxes” é, simplesmente, uma grande canção. Suficientemente peculiar para nos manter atentos, mas bem fácil de digerir, é um excelente cartão de visita para Getting Killed.

6 – Wednesday – “Pick Up That Knife”

Esta canção resume, na perfeição, o universo musical dos Wednesday e do seu incrível Bleeds. O que não tem de inovação compensa em tesão. Começa morna, parte instrumentos, descansa e, depois disso, vale tudo. Há pedal steel, versos da porra, distorção, feedback, o coração a bater mais forte, a pele a ficar arrepiada e “they’ll meet you outside” repetido em jeito de ameaça. Uma das canções a que mais regressei este ano.

5 – Dijon – “Rewind”

Eu nem sempre apanho estes comboios, mas Dijon não me deixa alternativa — sobretudo quando se deixa de coisas e deixa fluir. “Rewind” é a canção mais simples de Baby e um dos seus momentos mais belos. Absolutamente sublime.

4 – Samia – “North Poles”

Há músicas de festa. E depois há músicas sobre festa. “North Poles” parece ser uma delas e está recheada de candidatos a verso do ano: do fetichismo de “Jack off to someone who’s pregnant” à injeção de adrenalina de “We were born to be closers” vai um salto, mas Samia não se importa de saltar. Para uma canção que varia tão pouco e é sempre em frente, “North Poles” é uma brilhante improbabilidade.

3 – Ethel Cain – “Nettles”

Eu até tendo a gostar de canções longas, mas sentia-me mal se incluísse “Nettles” nesse grupo. É que, apesar dos seus oito minutos (é uma de muitas em Willoughby Tucker, I’ll Always Love You), não parece. Passa a correr. E é tão, mas tão bonita. Conquistou-me à primeira, sem qualquer dúvida. Mas não me fiquei pela primeira. Diz quem sabe (o velhinho Last.fm) que voltei a ela mais de cem vezes… e ainda não me cansei.

2 – Bon Iver – “There’s A Rhythmn”

Quem me conhece sabe que é comum estar em sintonia com a música de Bon Iver. Normalmente, é mais estritamente musical do que outra coisa qualquer, mas desta vez é diferente. “There’s A Rhythmn”, coração e alma de Sable, Fable, mostra-nos que Justin Vernon está numa de aceitar. E somos dois.

1 – Great Grandpa – “Doom”

“It’s funny how I need you, damn”. Quando o verso declaradamente mais emo, mais dramático de Patience, Moonbeam aparece em “Doom” e começa a mudar, primeiro, para algo que não é bem assim e, depois, para algo definitivamente mais sombrio e final, simplesmente já cá não estamos. Mudámos de plano. Estamos noutro sítio qualquer, mas não é aqui. Foi preciso dizer a coisa certa da maneira certa. O resto que se foda. Há muito que estava decidido: “Doom” é a minha canção do ano.