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Ouvir The New Pornographers

TNP

Os The New Pornographers são uma das minhas bandas favoritas da actualidade. De resto, é mais uma que vem do Canadá. Neko Case, Carl Newman e Dan Bejar (Destroyer) são alguns dos principais nomes deste supergrupo indie.

A história dos The New Pornographers, pelo menos a que é pública, não é propriamente diferente da dos outros supergrupos que por aí andam. Havia uma série de gente talentosa espalhada por umas quantas bandas e, de repente, juntam-se duas delas, mais uma uns tempos depois e por aí fora até que houvesse pessoas para todos os instrumentos (esta parte dos instrumentos é, muito provavelmente, uma ideia minha).

Mass Romantic

Long story short, lançaram o primeiro álbum em 2000, três anos depois de começarem a tocar juntos. E Mass Romantic é, de facto, uma excelente estreia. Power pop distorcida por uma secção rítmica absolutamente brilhante (não é exagero), o primeiro álbum dos The New Pornographers não deixa de ser pop. ”The Body Says No”, “The Mary Martin Show”, “To Wild Homes” e o tema de abertura “Mass Romantic” são exemplos do que os The New Pornographers andam por aí a fazer. Mas atentem no vídeo de “Letter From an Occupant” que, não sendo a melhor música do álbum, é um bom cartão de visita para Mass Romantic.

Electric Version

Diga-se, apesar de todo o barulho feito a propósito deste Mass Romantic, a coisa só começa a valer a partir do segundo. Ao primeiro, temos de descontar o hype e o efeito surpresa. Electric Version, o segundo, não deixa espaço para dúvidas. A música “The Electric Version” inicia de forma enérgica os 46 minutos mais coerentes dos The New Pornographers até hoje. É melhor que Mass Romantic, tem um número bastante razoável de verdadeiras estrelas (é que “From Blown Speakers”, “The Laws Have Changed”, “All For Swinging You Around”, “The New Face Of Zero And One” e “July Jones” são mais do que simples destaques) e funciona muito bem como um todo (melhor até do que os álbuns que vieram a seguir, quer-me parecer). Há um mês, pus aqui o vídeo de “All For Swinging You Around”; a sugestão mantém-se.

Twin Cinema

Em 2005, chegou a estrela da companhia. Twin Cinema é o álbum mais aclamado, querido e falado dos álbuns dos The New Pornographers. E percebe-se porquê. Porque é o melhor. É o mais completo e complexo que editaram até hoje. É o ponto mais alto do caminho que vinham seguindo desde Mass Romantic. As vozes de Neko Case e de Carl Newman deixam de servir de barreiras e passam a estar mais ligadas às canções em si. Twin Cinema tem altos e baixos, não de qualidade mas de intensidade. Nunca tinham ido tão fundo como em “Streets of Fire”… mas também nunca tinham ido tão longe como em “Use It” e em “The Bleeding Heart Show”, definitivamente as melhores faixas do álbum. Convém destacar aqui três segredos, três coisas acabadas em “ia”: bateria, melodia e energia. Aqui em baixo têm “Use It”. Vejam lá se não tenho razão.

Challengers

Depois de Twin Cinema, não havia mais nada a fazer senão Challengers. É um caminho relativamente diferente; mais calmo, mais velho, mais desligado. Os The New Pornographers perderam energia mas mantiveram as melodias pop que lhes trouxeram fama, dinheiro e mulheres (não vos agrada o tom à documentário da VH1?). O resultado foi um conjunto de canções mais despidas e um álbum muito, muito bonito. Sem a barreira de guitarras à frente e um ritmo tão acelerado quanto possível, os The New Pornographers entregam, num registo diferente, um conjunto de canções de excelente nível. Claro, ainda há uma ou outra recaída – “The New Face Of Zero And One” e “Mutiny, I Promise You” – mas a maior parte das músicas de Challengers segue outro caminho, um que é dominado pela familiaridade pop de “Go Places”, “My Rights Versus Yours” e “All The Old Showstoppers” e pela emoção de “Unguided” e de “Adventures In Solitude”. E depois há “Challengers”, a pausa para respirar. Nunca a voz de Neko Case soou tão bem.

Um comentário em jeito de conclusão

Twee pop. Power pop. Indie pop. Não é difícil perceber que há ali qualquer coisa que se repete, seja qual for a gaveta onde metemos os The New Pornographers. Em boa verdade, estão todos relativamente correctos. E depois há as influências, desde a country mais redneck até ao dia mais solarengo da vida de Brian Wilson. O resultado é uma banda sem medo de soar bem em muitos ouvidos, o que é quase uma definição de música pop.

Mas ao final do dia, estes enquadramentos valem o que valem – muito menos que a música em si, claro. Vão mas é ouvir os discos.