Parece que continuo a gostar dos Sigur Rós

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Estou a ficar velho. O concerto de Sigur Rós foi muito bom e tudo o resto mas há coisas que, a partir de uma certa idade (os vinte e poucos, no meu caso), fazem confusão a um gajo. Ontem foi um cabeludo. Fez-me impressão porque estava à minha frente e me tapou o palco, porque cantou algumas músicas e porque estava muito emocionado com aquilo tudo. OK, já sei que tenho de respeitar as pessoas e os animais todos mas tanto me faz: o gadelhudo chateou-me.

Quanto ao concerto propriamente dito, foi parecido com os últimos dois que a banda deu por cá. Með suð í eyrum við spilum endalaust, o novo álbum, é bom mas não tão bom como Takk…, que é provavelmente o meu álbum favorito deles. Adoro o ( ) e gosto bastante do Ágætis Byrjun mas foi Takk… que me conquistou verdadeiramente. Do último álbum tocaram algumas das melhores, ficando de fora a impossível “Ára Bátur” (impossível porque mete coro e orquestra), o que é uma pena. Tocaram “Gobbledigook”, o primeiro single e a coisa mais alegre que aquele concerto produziu. Não é das minhas favoritas, confesso, mas aquela brincadeira toda com confetis e afins até não ficou mal de todo.

Mas pronto, o melhor estava mesmo reservado para o encore. Calhou que as duas últimas músicas fossem as minhas duas favoritas: “Glósóli” e “Popplagið”, autênticas obras-primas que a banda teima (e bem!) em colocar em destaque nos seus concertos. Se a primeira é mais pop e imediata, a segunda (curiosamente, tem como nome de código “canção pop”) é um dos melhores crescendos da História (exagero), começando belíssima, como quase sempre em Sigur Rós, e acabando no mais absoluto barulho.

Resumindo, valeu a pena e vai continuar a valer a pena durante mais algum tempo.

(A foto é do Vasco Pereira, do FestivaisPT, que foi simpático e me deixou usar uma das que tirou.)