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O som que a bola faz: 11 músicas que o futebol nos deu

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O nosso onze para o Euro 2016. Tragam tampões para os ouvidos.

O futebol não tem sido, ao longo dos anos, especialmente bom para a música. Não só não é uma musa digna para artistas como ainda faz questão de forçar os fãs do desporto-rei a lidar com os temas mais horríveis e intragáveis a que, apenas com considerável esforço, podemos chamar música.

Há os menos maus, os maus e os terríveis. Haverá certamente temas entre os menos maus que um tipo até aguenta, mas a maioria não dá sequer para ouvir.

Dito isto, alguém – eu – decidiu sacrificar-se por vós e colocar aqui algumas das mais distintas (isto não quer dizer boas, recordo) canções postas ao serviço do futebol, das mais óbvias às mais rebuscadas.

Skank – “É Uma Partida de Futebol”

Pois é. Dificilmente haveria, para brasileiros e portugueses, forma mais óbvia de começar esta viagem. Foi uma entrada a pés juntos dos Skank, que oficializaram o samba como o ritmo da bola e deram aos portugueses um excelente dicionário de termos brasileiros associados à bola: time, gol, placar, flâmula, distinto, uniforme, goleiro, zagueiros, centroavante, etc. É quase uma canção educativa, a não ser que vejam o futebol como agente de alienação das massas e reforço do domínio das cúpulas política e económica internacionais.

A melhor recordação: todas as reportagens sobre futebol na televisão portuguesa.

E-Type – “Campione 2000”

Vamos lá tirar isto da frente. Numa altura em que os Safri Duo eram uma coisa, o Euro 2000 tinha de arranjar um hino oficial à altura. Não sei bem à altura de quê, mas isto deve ter feito sentido… na altura. E-Type, músico sueco com nome de robô, canta “There can be only one”, uma clara homenagem a Highlander (lembram-se da série Os Imortais, pessoas com mais de 30 anos?) ou um sinal do fim dos tempos.

A melhor recordação: a mão de Abel Xavier (ainda há quem ache que não foi mão, não há?).

Toranja – “Toma A Tua Bola de Football”

Alguém se lembra disto? Não é bem sobre futebol, parece-me. Acho que é uma metáfora qualquer sobre a forma como lidamos com o fracasso e assim, mas só deus sabe o que quer o Tiago Bettencourt dizer quando escreve letras. E isto apareceu antes de “A Carta”, pelo que na altura ainda não havia problema em gostar dos Toranja.

A melhor recordação: o murro de João Vieira Pinto ao árbitro no jogo entre Portugal e a Coreia do Sul no Mundial de 2002.

Vangelis – “Anthem”

Vangelis é, juntamente com Julio Iglesias, um dos artistas pop mais vaidosos e convencidos de sempre. Baseio a minha afirmação no facto de ele me parecer sempre cheio de manias e não estou disponível para mudar de opinião. Em 2002, o grego deu ao infame Mundial do Japão e da Coreia do Sul um daqueles temas à Vangelis intitulado simplesmente “Anthem”. E, tal como o título, é a coisa mais genérica que já ouviram.

A melhor recordação: ver repetidamente o murro de João Vieira Pinto ao árbitro no jogo entre Portugal e a Coreia do Sul no Mundial de 2002.

Pitbull – “We Are One (Ole Ola)”

Antes de Pedro Abrunhosa decidir transformar “Tudo O Que Eu Te Dou” na música de apoio mais aborrecida de sempre, já outro músico careca de óculos escuros se tinha dedicado a transformar os nossos ouvidos em pedaços de carvão queimado com a horrível “We Are One (Ole Ola)”. Jennifer Lopez também ajudou, mas é indiferente. O mal estava feito a partir do momento em que o convidaram para fazer a música oficial do Mundial de 2014.

A melhor recordação: o dia antes de ter conhecido esta música.

Shakira – “Waka Waka (This Time For Africa)”

Continuando pelos Mundiais, a escolha de Shakira para a música do Mundial da África do Sul em 2010 ao menos teve em conta o street cred dela no mundo da bola. Sendo casada com Piquet, defesa central do Barcelona e da Seleção de Espanha, não é totalmente estranha a um estádio de futebol – embora fosse uma escolha no mínimo duvidosa para o primeiro Mundial organizado em África. E ainda por cima acabou a ser acusada de plágio…

A melhor recordação: observar as pessoas a tentarem sem sucesso cantar o refrão, excepto as expressões “waka waka” e “this time for Africa”.

New Order – “World In Motion”

Pouca gente sabe mexer os cordelinhos da pop como os New Order e parece que Inglaterra estava a salivar por este tipo de apoio para o Mundial de 1990, em Itália. Os ingleses acabaram por ficar em 4º lugar, depois de perderem nas meias-finais com a Alemanha (claro) e no jogo de definição dos 3º e 4º lugares com a Itália, pelo que a música até lhes deu alguma força. Se uma canção como “World In Motion” se podia dar ao luxo de ignorar o fim dos anos 80, Inglaterra também podia sonhar com o título. Não aconteceu, mas esta canção é provavelmente a coisa mais respeitosa desta lista.

A melhor recordação: o camaronês Roger Milla a espalhar magia com 38 anos.

Daryl Hall and Sounds of Blackness – “Gloryland”

Isto é que é música dos anos 90, amigos. E sobre futebol, mas com limitações, já que é um dos temas do Mundial de 1994, realizado nos Estados Unidos. Para os que não ligam muito a futebol… os Estados Unidos não ligam muito ao nosso futebol. E acabaram por fazer uma daquelas baladas épicas extremamente americanas e grandiosas e cheias de gospel. Continua a ser bastante má, mas ao menos tem aquela coisa de fechar o punho e os olhos. Sabem do que falo?

A melhor recordação: aquele festejo de Bebeto.

Ennio Morricone – “Anthem”

Mais um tema com um título simpático, desta feita relativo ao Mundial de 1978, realizado na Argentina. E composto por quem, mesmo? Por Ennio Morricone, claro. Eu sei que os anos 70 foram um bocado loucos e tal, mas isto é muito pouco digno da carreira do compositor italiano.

A melhor recordação: mas alguém era nascido nesta altura?

Nelly Furtado – “Força”

Oh, bons velhos tempos. A sã convivência entre europeus nas cidades portuguesas deu outra graça a 2004, ano em que o campeonato europeu de futebol foi organizado por Portugal. O resultado final foi uma das coisas mais frustrantes (para os portugueses) e bonitas (para os gregos) que aconteceram no futebol europeu, mas nada poderá fazer esquecer a luso-canadiana Nelly Furtado a cantar em Português. Residente naquilo a que Marcelo Rebelo de Sousa decidiu chamar de território espiritual português, Nelly Furtado foi uma escolha interessante. A música até não era má, curiosamente, mas a pronúncia dela no refrão era qualquer coisa.

A melhor recordação: Ricardo a defender uma grande penalidade sem luvas contra Inglaterra (e a marcar a decisiva logo a seguir).

Ricky Martin – “La Copa De La Vida”

O refrão tem praticamente a mesma base do de “María”, outra canção dele, mas nada impediu Ricky Martin de fazer de “La Copa De La Vida” o hino mais conhecido de sempre de um Mundial (o de França em 1998). A música é festiva e tal, mas o sucesso que teve é um bocado inexplicável. Mas até nisso representa bem o mundo das músicas feitas a pensar no futebol. É que é tudo muito difícil de explicar, de perceber e sobretudo de ouvir.

A melhor recordação: aquele golo de Bergkamp à Argentina.