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Uma companhia de talentos

Julien Baker, Lucy Dacus e Phoebe Bridgers decidiram juntar-se e editar um EP. O resultado chama-se boygenius.



São três das vozes mais interessantes do rock norte-americano dos últimos anos. A idade, a experiência e a estrada aproximaram-nas. Daí até boygenius foi um saltinho.

As partes…

Julien Baker, que quase dispensa apresentações, anda a fazer-nos chorar desde que lançou o belíssimo Sprained Ankle no Bandcamp em 2015, com apenas 20 anos. Turn Out The Lights, lançado em 2017, não só confirmou todas as boas impressões deixadas anteriormente como mostrou novas qualidades na música de Julien Baker, mais madura, mais complexa e ainda mais interessante.


Lucy Dacus, que lançou este ano o seu segundo álbum de originais e visitou Portugal para o apresentar em Paredes de Coura, rebentou um bocado mais tarde, mas ainda vem a tempo. A voz quente e segura e as canções de evolução paciente fazem de Historian um dos álbuns rock mais agradáveis de repetir do ano. Já agora, fazem também de Lucy Dacus uma artista a seguir com muita atenção nos próximos anos.


Phoebe Bridgers, sobre quem escrevi há tempos, é a minha favorita das três. Tenho passado os últimos meses a descobrir pormenores na música dela, tanto em Stranger In The Alps, o álbum de estreia, como nas coisas que andam por aí espalhadas no YouTube e assim. As canções soam maduras e estão cheias de sensibilidade pop; as letras são engraçadas, às vezes perturbadoras, mas definitivamente viciantes. O que podemos querer mais?


… e um todo chamado boygenius

Os supergrupos nem sempre resultam muito bem, com qualidades que se perdem na mistura. No entanto, nem todos juntam talentos destes. O resultado final deste projeto tinha de ser fantástico, desse por onde desse. E, a julgar pelas primeiras três canções, é. Faltam as outras três, que deveremos poder ouvir a partir de 9 de novembro, quando boygenius, o EP, sair.

Cada uma lidera uma das canções e é difícil escolher uma favorita. “Bite The Hand”, cantada principalmente por Lucy Dacus, oferece-nos melodias interessantes, uma sujidadezinha boa na guitarra e aquele final a três vozes incrível.

“Me & My Dog”, comandada por Phoebe Bridgers, dá-nos voz e guitarra e um bocadinho de reverberação nas duas para começar e quase nos convence de que é de manhã e está fresquinho, transformando-se numa balada pop/rock mais tradicional à medida que avança para o final, que nos brinda com uma bela imagem.

I wish I was on a spaceship
Just me and my dog and an impossible view

“Stay Down”, que respira Julien Baker por todos os poros, é a mais crua e emocional das três. Começa na fossa e acaba na fossa, mas dá-nos a mais bonita e satisfatória das explosões. É gigante, gigante, gigante. A voz de Julien Baker conseguia formar um supergrupo sozinha, mas a companhia em boygenius assenta-lhe maravilhosamente.

Não me têm faltado desculpas para ouvir Phoebe Bridgers e Lucy Dacus nos últimos meses. Julien Baker já me tinha passado, mas já que é para ficar debaixo de água… vamos a isso.